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Resenha: O ano em que te conheci

Titulo: O ano em que te conheci
Autor: Cecelia Ahern
Gênero: Romance
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581638324
Paginas:  336
Nota: 5

Sinopse:
Bem-vindos ao mundo imperfeito de Jasmine e Matt.Vizinhos, eles não têm o menor interesse em tornarem-se amigos e nunca haviam se falado antes. Estavam sempre ocupados demais com suas carreiras para manter qualquer tipo de contato.Jasmine, mesmo sem nunca tê-lo encontrado, tem motivos para não suportar Matt.Ambos estão em uma licença forçada do trabalho e sofrendo com seus dramas familiares. Eles precisam de ajuda. Na véspera de Ano-Novo, os olhares de Jasmine e Matt se encontram de forma inusitada pela primeira vez. Eles têm muito tempo livre e precisam rever seus conceitos para poder seguir em frente.Conforme as estações do ano passam, uma amizade improvável lentamente começa a florescer.Uma história dramática, original e divertida como só Cecelia Ahern é capaz de escrever.


Este livro vai falar de AMIZADE. E não tem assunto mais gostos de se ler. A autora trouxe as várias formas que esse amor se manifesta, porque é assim que eu enxergo a amizade, uma forma de amor muito profunda que pode se manifestar de maneiras diferentes e em momentos incríveis nas nossas vidas.

"Saber que eu ia morrer instilou algo em mim que ainda carrego comigo até hoje: a consciência de que, apesar de o tempo ser infinito, o meu tempo era finito, o meu tempo estava acabando.Eu percebi que minha hora e a de outra pessoa não eram a mesma coisa. Não podemos passar essa hora da mesma maneira, nem podemos pensar sobre ela do mesmo jeito. Faça o que quiser com a sua, mas não me arraste junto; não tenho tempo a perder."
O livro é narrado em primeira pessoa pela Jasmine, uma mulher de 33 anos que foi demitida e, por conta de uma cláusula no contrato de trabalho, entrou em uma licença onde fica impossibilitada de trabalhar para outra empresa.

Jasmine mora em um bairro tranquilo onde a maioria são aposentados e que passam a maior parte do tempo em casa. A política da boa vizinhança acontece nesse local e a maioria das casas se preocupa em deixar o bairro o mais agradável possível, através dos jardins bem cuidados e cumprimentos e reuniões. Exceto por Jasmine e seu vizinho da frente.

O vizinho em questão é Matt, um homem 10 anos mais velho que Jasmine e apresentador de um programa de rádio polêmico. Pai de 2 crianças e 1 adolescente que está passando por dificuldades no casamento.

"Você é tudo o que não gosto nas pessoas. Seus pontos de vista, suas opiniões, suas discussões que não fazem nada para consertar o problema que você finge querer consertar e na verdade só provocam ataques raivosos e comportamentos de gente baixa. Você fornece um ponto de encontro para que o ódio e o racismo ganhem voz, mas apresenta isso como liberdade de expressão. É por isso que não gosto de você; e, por razões pessoais, eu o abomino."
Jasmine é uma mulher batalhadora e que sempre foi ocupada com seu trabalho, desde cedo mostrou sucesso em desenvolver ideias e acabou trabalhando em uma empresa que tinha como "serviço" o amadurecimento de ideias e fazer com que se tornem um sucesso. Nunca tinha tempo para um laço maior com seus vizinhos.

Mas a licença a "prendeu". Uma sentença de prisão domiciliar, como ela mesma diz no decorrer do livro. As férias sempre são bem vindas, mas concordo que depois de um tempo você acaba sentindo falta da rotina ou de fazer coisas que nos façam sentir que estamos nos desenvolvendo. Então Jasmine acaba tendo por distração observar o seu vizinho.

"Eu amava Heather também, mas sei que, quando minha mãe deixou esse mundo, a única pessoa que ela não queria deixar para trás era Heather. Ela precisava da minha mãe, minha mãe tinha planos para Heather, e então ela deixou este mundo com o coração partido por causa da filha que estava deixando para trás. Eu não tenho problema com isso, eu entendo. Meu coração se partiu não só por minha causa, mas por elas também."
Além do seu trabalho, outra prioridade na vida de Jasmine é sua irmã, Heather. Um ano mais velha que a protagonista, Heather tem síndrome de Down mas dá um show em organização e vontade de trabalhar. Ela possui uma agenda apertada onde faz os seus estudos e vários empregos. Cada dia da semana é organizado e além disso existem aqueles dias em que passa pelo ainda existente preconceito.

A mãe das duas faleceu quando Jasmine estava indo para faculdade e desde esta época ela sente que deve ocupar o lugar da mãe em relação ao progresso de Heather e também sua proteção das maldades do mundo.

A amizade entre elas é muito bonita e autora traz alguns assuntos relacionados as dificuldades enfrentadas pelas famílias sem ficar forçado. Com as passagens e os sentimentos da protagonista podemos visualizar toda a situação de outro ângulo e principalmente de forma simples. Porque as diferenças enfrentadas por elas não são diferentes das enfrentadas por outras famílias. O que difere as famílias que tem algum integrante com Síndrome de Down é o preconceito que vem de outras pessoas, infelizmente.

"Heather não está sempre feliz como se espera do estereótipo de pessoas com síndrome de Down. Ela é uma pessoa com dias bons e outros ruins,como todos nós, mas sua personalidade - o que não tem nada a ver com a síndrome de Down - é otimista. A vida dela está envolvida em uma rotina, e ela gosta disso porque é uma maneira de controlar a própria vida, e é por isso que quando apareço na casa dela ou quando ela está no trabalho fica confusa e quase agitada. Heather precisa de rotina, o que é algo que nos torna ainda mais parecidas e nada diferentes."
Nesses doze meses de licença, um ano, Jasmine é obrigada desacelerar e pensar sobre sua vida, seus objetivos, seus relacionamentos. Um ano de descoberta e de convivência. Descoberta de seu bairro, descoberta de sua irmã, descoberta de seu vizinho e descoberta dela mesma.

Será que a convivência com Matt será capaz de quebrar os conceitos sobre ele criados por Jasmine? Ela conseguirá encontrar uma maneira de não enlouquecer enquanto espera o fim da licença? 

"Mas, quando baixei a guarda, suas palavras me deram calor. Foi bom não estar sozinho aqui fora, pelo menos uma vez. Quando você disse essas palavras, elas me confortaram. E então também não me senti sozinha."
Como já disse no começo da resenha um livro sobre AMIZADE. Amizade entre irmãs. Amizade entre homem e mulher. Amizade entre pessoas de idades diferentes. Amizade em relacionamentos amorosos. Atos de amizade com pessoas desconhecidas. Coisas nas quais eu acredito na vida e que estavam ali, todas compiladas em uma história muito gostosa de ler e excelente para entreter. De quebra, o livro também vai falar de preconceito nas suas diferentes formas. Não vou me surpreender se este livro também for adaptado para cinema.

"A maior parte das pessoas na vida não precisa fazer nada ativamente para nos transformar, ela só precisa ser."
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