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Resenha: Uma História Meio que Engraçada


Título original: It’s Kind of a Funny History
Titulo nacional: Uma História Meio que Engraçada
Autor: Ned Vizzini
Gênero: YA Contemporâneo/Drama
Editora USA: Hyperion (444 páginas)

Editora BR: Leya (296 páginas)
ISBN USA: 978-0786851973
ISBN BR: 978-8544102589
Nota: 5/5

Sinopse: 
O que aconteceria se você descobrisse que a maior idealização da sua vida não era aquilo que você esperava? O adolescente Graig Gilner vai perceber que, até mesmo ao atingir um objetivo, nem sempre as coisas saem da forma como deveriam. Mas aprenderá também que, mesmo nas adversidades, é possível fazer novos amigos, se apaixonar e encontrar motivos para viver. Como muitos adolescentes determinados a vencer na vida, Craig Gilner acredita que a sua entrada na Executive Pre-Professional High School de Manhattan é o passaporte para o seu futuro. Obstinado a ter uma vida de sucesso, Craig estuda dia e noite para gabaritar no exame de admissão, e consegue. A partir daí, o que deveria ser o dia mais importante da sua vida, acaba marcando o início de um sufocante pesadelo.


“It’s so hard to talk when you want to kell yourself.”

É com essa frase que Ned Vizzini começa a sua tocante narrativa, e não poderia ser de maneira melhor. A cada página Vizzini consegue passar de maneira clara e pessoal o quanto é sufocante conviver com todas as expectativas da sociedade e de si mesmo, a pressão de ter que corresponder diariamente aos objetivos que você traçou e superar os muros que você mesmo ergueu.

“I'm smart but not enough--just smart enough to have problems.”

Gaig quer se matar. Essa é uma premissa simples, e é na simplicidade que Ned Vizzini encanta. Quando Graig consegue cumprir o que ele encarou como uma tarefa a ser cumprida (conseguir entrar na melhor escola de Manhattan, que teoricamente seria a porta de entrada para tudo dar certo na vida dele) a vida dele fica sem objetivos. Ou melhor, os objetivo e expectativas estão ali, mas ele não consegue cumpri-los, porque aparentemente ele não era bom o bastante para a melhor escola de Manhattan.
Esse pode parecer um motivo bobo para cometer suicídio, mas a escola é a única coisa na vida de Graig, é ali que ele teoricamente teria que encontrar o seu motivo de ser, é só aquilo que ele precisa fazer para alcançar todas as coisas maravilhosas do futuro, a escola está entre ele e um possível cargo de Presidente dos Estados Unidos, mas ele não consegue corresponder àquela única coisa, e isso se torna demais para ele.

“My family shouldn't have to put up with me. They're good people, solid, happy. Sometimes when I'm with them I think I'm on television.”

Mesmo com pais amorosos que fazem o que é possível para ajuda-lo (acompanhamento médico, antidepressivos, além de dar toda a atenção que é possível) Graig chega ao ponto em que simplesmente sucumbe a pressão e toma a decisão de se matar. Porém acaba encontrando em um livro da mãe o telefone da Linha de Suicídio, e quem o atende recomenda que ele vá para um hospital, para receber os cuidados necessários, e assim ele acaba na ala psiquiatra.


“Things to do today:1) Breathe in.2) Breathe out.”


Ned Vizzini baseou sua história em sua própria experiência, tanto com depressão quanto de quando ele mesmo passou alguns dias na ala psiquiatra do Methodist Hopital, e provavelmente é assim que ele consegue passar tão bem o quanto é sufocante e frustrante todos os sentimentos que envolvem a depressão.

“I can't eat and I can't sleep. I'm not doing well in terms of being a functional human, you know?”

Graig é um personagem extremamente bem construído, nos mínimos detalhes, e em nenhum momento temos a romantização de nenhum dos problemas pelos quais ele passa, ao contrário, é extremamente crua a forma como ele coloca como a depressão atrapalha em situações diárias e o como por vezes é desconcertante para o protagonista não conseguir comer, dormir, enfim realizar tarefas simples do dia-a-dia e acompanha-lo é ao mesmo tempo incrível e fatigante. Não queremos abandonar o livro, porque é muito bem escrito, com uma narrativa gostosa e cativante, porém por vezes precisamos da uma pausa para respirar e conseguir engolir todo o sentimento que ele passa.
Quando Graig vai para o hospital conseguimos ver a linha tênue em que ele esteve suspenso por todo o inicio do livro, e o sentimento de alívio por ele ter conseguido buscar ajuda é inigualável. E é a partir daí que conhecemos figuras engraçadíssimas e enfim vemos uma pequena luz começar a brilhar na vida do Graig, e ele acaba encontrando na arte uma maneira de se expressar e extravasar as dores.

“Life can't be cured, but it can be managed.”

Uma História Meio que Engraçada é um daqueles livros que todos deveriam ler pelo menos uma vez na vida, se quiçá não mais, pois consegue colocar em palavras algo que poucos que trabalham esse assunto conseguem, sem banalizações ou meias verdades. Vizzini consegue nos mostrar que por vezes somos nós que estamos tentando dar o passo maior que a perna, tentando alcançar as estrelas com uma vara de pescar, e talvez seja apenas necessário parar respirar e seguir um passo por vez (e quando não conseguimos fazer isso por nós mesmos não é vergonha ou exagero procurar ajuda, porque de vez em quanto todo mundo precisa de uma mão para levantar de um tomo muito feio).

“Life’s not about feeling better; it’s about getting de job done.”

  Uma História meio que engraçada foi adaptado para os cinemas em 2010, e o título no Brasil ficou “Se enlouquecer não se apaixone”, atualmente (Julho de 2017) o livro está no catálogo da Netflix.
Infelizmente em 2013 Ned Vizzini cometeu suicídio devido aos próprios problemas de depressão.

“That's all I can do. I'll keep at it and hope it gets better.”

No Brasil o trabalho de prevenção ao suicídio é realizado através do CVV - Centro de Valorização da Vida - e você pode entrar em contato com eles no link http://www.cvv.org.br/ ou pelo telefone 141, eles trabalham 24 horas por dia 7 dias por semana com a garantia que o contato será feito sobre total sigilo.




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