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Resenha: Jurassic Park

Título: Jurassic Park
 Autor: Michael Crichton
 Gênero: Ficção Cinetífica
 Editora: Aleph
 ISBN:  9788576572152
 Número de páginas: 528
 Nota: 5/5

Sinopse:
Uma impressionante técnica de recuperação e clonagem de DNA de seres pré-históricos foi descoberta. Finalmente, uma das maiores fantasias da mente humana, algo que parecia impossível, tornou-se realidade. Agora, criaturas extintas há eras podem ser vistas de perto, para o fascínio e o encantamento do público. Até que algo sai do controle. 
Em Jurassic Park, escrito em 1990 por Michael Crichton, questões de bioética e a teoria do caos funcionam como pano de fundo para uma trama de aventura e luta pela sobrevivência. O livro inspirou o filme homônimo de 1993, dirigido por Steven Spielberg, uma das maiores bilheterias do cinema de todos os tempos. 


"- [...] Existe um problema com aquela ilha. Ela é um acidente esperando para acontecer." Pág. 109

Em Jurassic Park, o milionário John Hammond, dono da empresa de biotecnologia InGen, decide revolucionar o mundo do entretenimento e construir o ousado Jurassic Park, um parque temático povoado por uma das criaturas mais fascinantes de todos os tempos: os dinossauros. Para conseguir tal façanha, Hammond investe milhões em pesquisas paleontológicas de escavação, com o objetivo de conseguir material genético de dinossauro preservado. Ele o consegue através de insetos congelados que haviam se alimentado de sangue dos dinossauros, e dessa forma se torna capaz de clonar o material genético e recriar os animais em laboratório.

Todo o processo de desenvolvimento dos dinossauros ocorre no mais absoluto sigilo ao longo de 5 anos na Ilha Nublar, localizada na Costa Rica, porém a empresa Biosyn, rival da InGen, acaba descobrindo sobre o projeto e passam a trabalhar para roubar parte dos resultados e desenvolverem seus próprios dinossauros. Ao mesmo tempo, os investidores da InGen precisam saber se o parque é realmente seguro para ser aberto ao público. Para a inspeção são enviados à Ilha Nublar o advogado Donald Gennaro, representando os investidores, o paleontólogo Alan Grant, a paleobotânica Ellie Sattler e o matemático Ian Malcolm. Para tentar amolecer Gennaro e provar que seu parque é perfeitamente seguro, Hammond leva também seus netos, Tim e Lex Murphy, de 11 e 7 anos.

 Uma vez na ilha, o grupo começa a entender como o parque foi desenvolvido. Quinze espécies de dinossauros foram clonadas a partir do DNA encontrado nos insetos, com as lacunas no código sendo preenchidas por DNA de anfíbios, répteis e aves. Os animais foram manipulados geneticamente para serem todos fêmeas, garantindo que eles não pudessem se reproduzir, e para possuir uma falha na produção da enzima lisina, o que causava uma dependência à dieta que era oferecida a eles na ilha. O sistema de segurança fazia varreduras a intervalos mínimos, localizando e contabilizando os dinossauros. Além disso, os animais eram mantidos a uma distância segura dos visitantes por uma poderosa rede de cercas eletrificadas.

Mas logo as falhas começam a ser identificadas. Existe uma forte suspeita de que dinossauros estivessem fugindo da ilha e atacando pessoas no continente. A população de Procompsógnatos apresenta um gráfico de distribuição gaussiano, normal em populações com variabilidade genética mas inesperado em uma população geneticamente idêntica e incapaz de se reproduzir. Durante o passeio no parque, Grant encontra ovos recém eclodidos. E Malcolm identifica que o programa de varredura é programado para contabilizar um número fixo de animais, excluindo da contagem animais excedentes. Tudo indicava que os dinossauros estavam se reproduzindo e circulando pela ilha sem nenhum controle.

Enquanto todos visitam o parque e debatem as questões de segurança, Dennis Nedry, o programador-chefe do parque, responsável pelo software de segurança, aproveita a distração para roubar embriões congelados de dinossauros para a Biosyn. Seu plano é desativar o sistema de segurança e atravessar a mata dos dinossauros para alcançar as docas do outro lado e enviar os embriões para o continente antes que sua falta seja notada. Mas o plano é frustrado por uma tempestade repentina, que o faz se perder na trilha. Agora, todas as cercas de proteção que mantêm os dinossauros isolados na mata estão desativadas, e um desastre de tamanho incalculável está prestes a acontecer.

Jurassic Park é um livro incrivelmente visceral, que mistura fascínio com uma boa dose de medo. É encantador acompanhar os personagens encontrando os dinossauros, mas também é aterrorizante acompanhar as cenas de combate e fuga. A leitura é fluida e prende o leitor a cada página, mas exige uma certa paciência com alguns personagens.

A Lex é uma menina mimada que não faz nada a não ser atrapalhar todo mundo, desobedecer as instruções que lhe são dadas e atrair a atenção dos dinossauros o tempo todo. Parece que ela foi incluída na história unicamente para atrapalhar os outros personagens. Mas ainda assim ela não chega nem perto de John Hammond. Infantil e deslumbrado, Hammond consegue fechar os olhos para qualquer problema que é apontado. A ilha em colapso, com metade dos visitantes perdidos na selva e sendo perseguidos por dinossauros, e a única coisa que ele sabe fazer é repetir que o acidente é um problema menor e pode ser facilmente contornado. Os dois netos perdidos na floresta e ele senta calmamente para tomar sorvete, afirmando que logo eles vão aparecer.

Ian Malcolm é o personagem que traz as grandes discussões da história, mas acho suas conclusões deterministas demais. É claro que havia falhas no parque que possibilitaram que os animais se reproduzissem, deixassem de ser contabilizados pelo sistema de segurança e fugissem para o continente, mas o controle da ilha seria possível se fossem tomadas medidas melhores de segurança. Existia  um excesso de confiança na gerência do parque que acabou deixando passar muitas falhas, mas o Jurassic Park poderia ter um funcionamento tão bom quanto o de qualquer outro zoológico se houvesse um pouco mais de cuidado. A causa do acidente afinal não foi um mal funcionamento do parque, e sim a atitude irresponsável de Dennis Nedry, que deliberadamente desligou todo o sistema de segurança. Então, Malcolm poderia ser um pouco menos pessimista e parar de prever catástrofes o tempo inteiro.

A parte científica é bem plausível, embora seja um pouco exagerada. A genética é uma área da biologia na qual tudo é possível, e Michael Crichton soube lidar com essas possibilidades de forma espetacular. A recuperação e reconstrução do DNA poderia em tese ser feita como foi na história, mas encontrar o DNA de uma única espécie preservado o suficiente para possibilitar a clonagem já seria uma sorte inimaginável, encontrar o DNA de 15 espécies então seria certamente impossível. Mas todo o processo de sequenciamento do DNA, a complementação com material genético de outras espécies e a clonagem em si é bem realista. Crichton se apegou aos detalhes para tornar a história o mais real possível. Suas pesquisas não só na área de genética mas também em paleontologia e teoria do caos foram primorosas.

A discussão central do livro diz respeito aos rumos que a ciência moderna vem tomando. Mais do que uma ferramenta de melhoria da sociedade, a ciência muitas vezes é utilizada como um símbolo de poder, e muito do que nós podemos considerar como avanços científicos vêm carregados de consequências desagradáveis para o planeta. De resíduos de pesticidas à bomba atômica, a ciência moderna deixa a sua marca de forma desastrosa no planeta. Nas palavras de Iam Malcolm, "Eles [os cientistas] querem subprodutos, lixos, cicatrizes e efeitos colaterais. É uma forma de se reconfortarem. Está entranhado no tecido da ciência, e é um desastre que se multiplica". Não tenho uma opinião tão radical quanto a do personagem de Crichton, mas suas falas ao longo do livro me fizeram rever a minha visão de mundo. Jurassic Park é um livro que nos faz repensar o conceito de "tudo pelo bem da ciência".

"- Bem, pelo menos o desastre foi evitado - disse ele.- Qual desastre? - perguntou Malcolm, suspirando.- Bem - respondeu Hammond -, eles não fugiram e dominaram o mundo.Malcolm ergueu-se com o apoio de um cotovelo.- Você estava preocupado com isso?- Certamente era uma possibilidade - disse Hammond. - Esses animais, sem nenhum predador, poderiam sair e destruir o planeta.- Seu idiota megalomaníaco - esbravejou Malcolm. - Você tem alguma ideia do que esta falando? Você acha que pode destruir o planeta? Minha nossa, que poder embriagador você deve ter. - Malcolm afundou de novo na cama. - Você não consegue destruir este planeta. Não consegue nem chegar perto disso.- A maioria das pessoas acredita - disse Hammond, inflexivel - que o planeta está em perigo.[...]Malcolm tossiu e fitou a distância.- Vamos ser claros. O planeta não está em risco. Nós estamos em risco. Não temos o poder para destruir o planeta, nem para salvá-lo. Mas talvez tenhamos o poder para salvar a nós mesmos." Pág. 464 - 466

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