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Resenha: Cidade Banida

Titulo: Cidade Banida
Autor: Ricardo Ragazzo
Gênero: Distopia
Editora: Planeta dos Livros
ISBN: 9788542205411
Paginas: 384
Nota: 4

Sinopse:
No futuro, a Terra foi assolada por inúmeras guerras, o que dizimou 99% da população humana e transformou sua vida animal e vegetal. Boa parte dos seres humanos acabou confinada dentro dos muros de Prima Capitale, regida pelas draconianas regras do Supremo Decano. Por causa da rigidez do governo, todos os bebês nascidos no lugar precisam passar pelo crivo dos chamados cognitos, seres com poderes psíquicos capazes de prever o futuro. Caso, nesta visão, seja revelado que o novo cidadão cometerá um crime, sua sentença é a morte. Seppi Devone foi um desses bebês vetados. No entanto, sua mãe, Appia, consegue fugir com ela, livrando-a da cruel sentença. Elas vivem incógnitas numa comunidade no meio da mata e Appia cria sua filha como um garoto. Mas, quando Seppi completa 15 anos, o destino bate à sua porta e a garota terá de enfrentá-lo. Afinal, a adolescente é a única esperança que muitos oprimidos têm de se livrar do mal a que são submetidos pelo Supremo Decano. Irá ela abraçar essa sua missão?


 "- Isso é muito mais do que apenas uma mancha, Seppi. O que você carrega nos ombros pode ser resumido em uma palavra: esperança. Você minha querida, é uma totêmica. Mais do que isso. Você será a primeira totêmica a lutar efetivamente do nosso lado."

A história se passa numa época em que a Terra já está totalmente destruída por conta da ganância humana. A ambição que leva as guerras e o consumo egoísta dos recursos naturais levaram o planeta ao caos e completa destruição. A raça humana foi quase exterminada, mas os poucos que restaram vivem em uma sociedade comandada pelo Supremo Decano.
O líder estipula algumas regras para que a vida em sociedade seja mais tranquila e que a espécie possa permanecer na Terra.

Além disso as espécies e vegetação da Terra também sofrem modificação nesse livro, por isso temos um glossário logo no início. O que é muito legal do autor, todo esse cuidado que ele teve de criar esse ambiente e a preocupação de fazer com que todos entendessem.

A história tem como personagem principal a garota de 15 anos, Seppi. Inclusive, tirando o início do livro que conta seu nascimento e de como sua mãe fugiu para salvar a vida da filha recém-nascida, o livro é narrado em Primeira pessoa. É a Seppi quem domina as páginas, descrevendo os locais e seus sentimentos.

Começando do começo, a nova sociedade tem como lema PAZ, ORDEM, SEGURANÇA E DISCIPLINA. Então para garantir esses ideais, cada casal só pode ter um único filho. Além disso, logo ao nascer as crianças passar por uma sessão com um cognito (pessoa com poderes especiais, capazes de visualizar o futuro além de muitas outras coisas, somente com o poder da mente). Assim seus pais assistem uma parte da vida futura de seus filhos, se existir qualquer indício de que aquela criança poderá causar problemas ao sistema, os pais devem alertar os oficiais. A criança será levada e o casal poderá tentar ter outro bebê.

No começo do livro temos a descrição da cena que os pais de Seppi veem na cabine. Ela está no meio de uma batalha, uma revolução. Seu pai não pensa duas vezes, aperta o botão vermelho e se conforma que terá que tentar outro filho. Mas Appia, mãe de Seppi, não se conforma de não poder conhecer sua garotinha. Não é possível que tudo tem que acabar, assim, ela luta para conseguir ficar ao lado dela, e consegue fugir.

Este livro estará repleto de momentos que demonstram o que fazemos quando amamos outra pessoa. A força que conseguimos quando estamos lutando por ideais. Várias vezes Ricardo traz a tona questões que envolvem as lutas e as guerras. Questões sobre lealdade e humanidade. Como as vezes coisas básicas são esquecidas quando o homem está no limite da sobrevivência.

"Ele tinha mesmo matado um homem por algo tão trivial e absurdo? Que tipo de sociedade era essa em que a vida de alguém valia tão pouco?"

"Temos que nos manter moralmente sempre atentos, já que a maldade bate à nossa porta sempre coberta pela máscara extravagante da oportunidade."

Appia consegue fugir com Seppi, durante 15 anos a garota vive em uma "aldeia" e se veste como menino para não levantar suspeitas. Mas um dia, sua mãe e ela são descobertas, e todo o seu mundinho começa a desabar. Seppi descobre que é uma totêmica, possui um poder de realizar várias coisas somente com a mente, e mais, descobre sobre a visão que o cognito passou para os seus pais naquele dia. Que um dia ela estará liderando uma batalha contra o sistema.

Então o livro vai mostrar todo o amadurecimento da menina e toda aventura que ela passa para conhecer melhor a si mesma. Batalhas, perdas, romance e descobertas acontecem rapidamente na vida da nossa protagonista. Acredito que o fato da narrativa ser em primeira pessoa favoreceu bastante para que pudéssemos ver o crescimento da personagem.

"Quando nosso mundo é pequeno, tudo parece ser mais fácil e óbvio, mesmo que não seja algo concreto, nem mesmo verdadeiro. Afinal, não temos base de comparação, acreditamos que aquilo que vemos é aquilo que existe, que conhecemos tudo o que há para se conhecer. Só que através das expansões que se caminha para a verdadeira sabedoria. Quando deixamos nosso mundo maior, novas opções, escolhas, saídas e soluções surgem num passe de mágica. Tornamo-nos mais complexos e flexíveis, aptos a compreender aquilo que outros menos expandidos jamais seriam capazes de compreender."

Gostei bastante dessa leitura. Ainda não tinha lido nenhuma distopia nacional e realmente o Ricardo está de parabéns. Acredito eu, que irá lançar a continuação dessa história (Por favor, diz que Sim! =x). Então vou ficar aqui esperta, esperando a continuação!
É muito bom ver os escritores nacionais tomando espaço nas estantes e escrevendo histórias tão empolgantes!

"Sonhar e conquistar são verbos separados por apenas uma coisa: atitude."


Cidade Banida é puro movimento, um livro empolgante e que vai fazer com que você reflita em alguns momentos. Uma boa pedida para aqueles que gostam de uma distopia.

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