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Resenha: Os 13 Porquês

Título: Os 13 porquês
Título original: Thirteen reasons why
Gênero: YA/Drama
Autor: Jay Asher
Publicação BR: Ática/2009 – 256 páginas
Publicação EUA: Razorbill/2007  - 304 páginas
Plataforma: Audiobook
Nota: 5/5

Sinopse: 
Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker, uma colega de classe e antiga paquera, que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.


“You can't stop the future. You can't rewind the past. The only way to learn the secret... is to press play.”
A primeira pergunta que fazemos quando ouvimos ou lemos sobre um suicídio é: o que levou a pessoa a fazer aquilo? O que foi tão horrível e desesperador que fez uma pessoa acreditar que realmente seria melhor acabar com a própria vida a passar por aquilo novamente ou sofrer as consequências, mas a verdade é que talvez não exista um grande motivo, talvez a pessoa já estivesse morrendo aos poucos, com coisas pequenas que no momento não pareceram fazer uma grande diferença, mas que juntas acabaram com a vida dela.

“I hope you're ready, because I'm about to tell you the story of my life. More specifically, why my life ended. And if you're listening to these tapes, you're one of the reasons why.”

Apenas imaginar que talvez você possa ser uma das razões para uma pessoa ter escolhido morrer já é extremamente desesperador, na verdade apenas o fato de que você não viu os sinais, não conseguiu interpretar as pequenas mudanças de comportamento já é algo que te afeta, como é possível que ninguém tenha visto isso vindo? Essa é um do principais questionamentos ao ouvir a história de Hannah.


Muitas pessoas, após ler o livro questionam os motivos dela, dizem que não foram convincentes ou que são coisas muito pequenas para fazerem ela ter tomado a atitude que tomou com relação a eles. Mas a verdade é que você nunca sabe como uma coisa irá afetar uma pessoa, nunca sabe o impacto que aquilo terá porque você não conhece tudo sobre ela, tudo que está acontecendo na vida dela, por isso não acho que para Hannah os motivos foram fracos, ou as coisas foram tão insignificantes assim, pois não podemos ver os motivos separados, como ela muitas vezes diz, aquelas pequenas coisas unidas tomaram proporções gigantescas, o efeito bola de neve, e acabaram esmagando ela.

“I'm listening to someone give up. Someone I knew—someone I liked. I'm listening... but still, I'm too late.”

Durante toda a história ficamos imaginando o que o Clay fez de tão errado para estar naquelas fitas, para ser o motivo de alguém ter cometido suicídio, ainda mais por ser alguém por quem ele tinha um sentimento tão forte. Clay é um personagem okay, no fim ele é ó um adolescente cheio de dúvidas e medos, tentando entender algo que não pode ser entendido.
Já Hannah é uma menina perdida dentro dela mesma, perdida nas coisas que falam dela, na forma que tratam ela, e desesperada para encontrar o caminho de volta para casa, por um lugar seguro onde ela não seja o centro das atenções.

“You can hear rumors. But you can't know them.”

O fim da vida de Hannah começa exatamente no que era para ser o começo de uma nova vida, e começa com um mentira, um exagero. É muito interessante como uma coisa leva a outra, que leva a outra, todas as ações estão intimamente ligadas. A forma como Jay constrói a história, com você já sabendo o final dela porém não o que levou aquilo te mantém refém do livro.


Jay Asher constrói uma das narrativas mais interessantes que já li, intercalando entre o presente, onde o Clay encontra as fitas e visita os lugares indicados por Hannah, e os áudios gravados por Hannah, em que você é transportado para vários momentos da vida dela, cada fita é dedicada a um acontecimento e pessoa que é ligado a outro momento que acabaram levando ela a tomar a decisão final. Temos ainda a versão dos fatos aos olhos do Clay, os pensamentos dele e como a imagem da Hannah foi construída (ou desconstruída) para ele através da ação das outras pessoas.


Muitas coisas poderiam me fazer tirar estrelas desse livro, principalmente agora na releitura. Os personagens não são tão bem construídos, mas isso é justificável, já que o livro inteiro se passa durante apena uma noite, mesmo assim acho principalmente o Clay raso, e sim por vezes a Hannah é apenas chata mesmo. Porém essa não é uma obra para ser vista com um olhar tão crítico, pelo menos para mim. A experiência de ouvir esse livro tornou ele mais marcante ainda do que ler, porque eu realmente estava ouvindo aquelas fitas com o Clay. Este é um livro para ser sentido, e como ele me fez sentir tudo de novo, todo o desespero, a vontade de ajudar, a vontade de fazê-la enxergar, de mudar o destino dela, de não torna-la o mártir que ela é, simplesmente não existe, para mim, uma nota diferente da nota máxima para ele, porque ele é muito mais que apenas uma história de como uma menina se perdeu, ele é a história de como o dia a dia pode matar uma pessoa, e de que pequenos atos podem sim fazer a diferença, tanto para o bem como para o mal.

“I’m sorry.” Once again, those were the words. And now, anytime someone says I’m sorry, I’m going to think of her.”


 A série:

  
A série estreia hoje, dia 31 de março, na Netflix.

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