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Resenha: Os filhos da noite


Titulo: Os Filhos da Noite
Autor: Dennis Lehane
Gênero: Policial / Suspense
Editora: Companhia das Letas
ISBN: 9788535923445
Paginas: 480
Nota: 4,5


Sinopse: 
A Lei Seca fez brotar do chão uma vasta rede de destilarias subterrâneas, bares clandestinos, gângsteres e policiais corruptos. Há muito que Joe Coughlin, o filho mais novo de um proeminente capitão da polícia de Boston, deu as costas à sua criação rígida e severa. Dos pequenos delitos cometidos na infância, Joe agora desfruta com gosto de uma carreira no crime construída a soldo de um dos mais temidos mafiosos da cidade. A vida nas sombras, porém, costuma cobrar seu preço. Numa época em que homens impiedosos, munidos de dinheiro, bebida ilegal e armas, disputam pelo controle da cidade, não se pode confiar em ninguém - nem em família, amigos ou amores. Para além do dinheiro e do poder, e até das ameaças de prisão, um destino parece inevitável a homens como Joe: a morte prematura. Mas até que esse dia chegue, ele e os amigos parecem decididos a levar a vida até suas últimas consequências.A jornada de Joe pelos escalões do crime organizado o levará de Boston e de seus bares tomados pelo jazz ao bairro latino de Tampa, e até às ruas efervescentes de Cuba. Os filhos da noite é um épico à maneira de Scarface e Os bons companheiros, repleto de traficantes, femmes fatales, amigos leais e inimigos implacáveis, todos lutando pela sobrevivência e por seu quinhão do sonho americano. Combinando uma história de amor e uma saga de vingança, Lehane traz à vida uma época em que o pecado era motivo de celebração e o vício era uma virtude nacional.



“Sabe os nossos clientes?”, dissera Tim mais de uma vez. “Eles visitam a noite. Nós não: nós vivemos na noite. Eles alugam o que nos pertence. Isso significa que, quando eles vêm brincar no nosso quintal, nós lucramos com cada operação.” Pág 88

Na década de 1920 entrou em vigor nos Estados Unidos a Lei Seca que perdurou até a década seguinte. Esta lei proibia a produção, comercialização, transporte, importação e exportação de bebidas alcoólicas com o objetivo de salvar o país da pobreza e da violência.
É neste plano de fundo que Dennis Lehane escreveu o romance Os Filhos da Noite, uma história repleta de reviravoltas e que nos traz um período pouco conhecido pelo menos por nós não americanos. Há ainda aqui muita violência, poder, o estilo gângster dos anos vinte e trinta e uma história de amor.

Joseph Couglin e outros personagens

Joe Couglin, o nosso protagonista de Os Filhos da Noite, é o filho mais novo do chefe da polícia de Boston, Thomas Couglin, mas ser filho deste homem não o intimidara ou fazia-o repensar sobre o caminho que vinha seguindo desde a sua infância, quando começou como um fora da lei até crescer e ainda assim continuar a seguir pelo caminho oposto daquele traçado pelo pai, crescendo nos escalões da máfia e do crime organizado estadunidense. Se hoje na América do Sul o nosso grande problema é o tráfico e contrabando de drogas e armas pelas veias dos países sul-americanos, naquele tempo o crime utilizava como base a lei seca e assim surgiram diversos bares e destilarias clandestinos que enriqueciam os criminosos e, o Rum, bebida obtida a partir da fermentação do melaço era o carro chefe deste mundo do crime.

“Até serem executados, planos não passam de sonhos” Pág 288
Os irmãos Bartolo, Dion e Paolo são os amigos de Joe. Os três formaram um trio e tanto na execução de crimes desde a infância como atear fogo em bancas de jornal e outras coisas do tipo, mas acalmem-se. Isso não é spoiler. É apenas um detalhe terreno que será irrelevante na trama, ou ainda apenas uma vaga lembrança nas memórias de Joe sobre a sua infância. Esteban, Graciela, Emma Gould, Tim Hickey e Maso Pescatore são outros personagens fundamentais para a história e que possuem certa ligação com Joe em menor ou maior grau. Quanto ao lado de lá, entre os antagonistas temos Albert White, Breeny Loomis e Lucky Luciano, talvez, mas pensando bem, como aqui tudo gira em torno do mundo do crime, até Joe pode ser um antagonista. Isso é complicado de se entender, mas ao entrarmos na mente deste protagonista e colocarmo-nos a pensar como ele, notaremos que pessoas ruins também fazem o bem, assim como pessoas boas fazem coisas ruins.

Boston do mundo e outros cenários

Italianos, gregos, cubanos, latinos do continente e imigrantes europeus de muitos outros países. Além dos americanos, estes eram os habitantes de Boston naquele tempo. Em cada canto da cidade, uma nacionalidade. Para cada enacionalidade, um modo de agir e um negócio em especial.

“Eu não sou gângster, sou fora da lei” Pág. 239
Longe de Boston, em Tampa e Ybor no estado da Flórida, os latinos são tidos como cucaratchos (baratas) e nos comércios é possível encontrar avisos nas entradas com os dizeres “proibido a entrada de cachorros e latinos” ou ainda “proibido para latinos”, o que deixa descontente boa parte da população da região e, devido à proximidade do estado com o Golfo do México, tem ainda mais influência de latinos que quase todos os outros lugares do solo americano. Hoje essa região ainda tem essa influência latina, só não mais forte que nos estados da Califórnia e Texas, que fazem fronteira com o México.
Outro cenário da história de Os Filhos da Noite está nas ruas de Havana, capital da terra da perdição dos anos vinte e trinta, Cuba.

Romance e teor histórico

Além do plano de fundo da lei seca que vigorou nos estados Unidos por treze anos desde 1920, Lehane coloca a luta contra o regime de Machado como motivação de alguns dos personagens, luta que gera uma longa parceria entre Joe e cubanos. Machado foi um dos mais poderosos ditadores que governou Cuba e que por sua vez luta contra aqueles que querem anular o seu poder. Como amo história e romances com um certo teor histórico, não poderia de forma alguma deixar este detalhe passar em branco.
Acham que é só? Já ouviram falar na KKK? Não é risada, falo da Klu Klux Klan, ou o Klan, grupo de racistas que surgiu no sul dos Estados Unidos e que vestiam-se com roupas e capuzes brancos e ainda montavam em cavalos para perseguirem negros americanos. Um tanto assustador, não? Em Os Filhos da Noite, além de rivais e um sistema complexo da organização do crime, a Klan é mais um obstáculo para os negócios do Sr. Joseph Couglin.
Querem mais? E o fanatismo religioso, até onde vai? “Penitencia!” Quem se entrega tanto a religião e que mesmo seguindo a um Deus se torna outra barreira nos negócios de Joe a ponto de reduzir seus lucros? Outro pilar e tanto, não é mesmo? Agora imaginem tudo isso em uma única obra... chega a ser lindo de se imaginar. Admita!

Escrita e detalhes da obra de Lehane

Narrada em terceira pessoa, Os Filhos da Noite, é escrito de forma leve, mas com um ou outro termo desconhecido, ao menos para mim, mas também para outros leitores. Em alguns momentos, Lehane atribui palavras fortes e bem definidas para alguns momentos das diversas reviravoltas do romance. Uma característica notável desde o início da obra é que Lehane valoriza a boa descrição das cenas, dos personagens e de suas roupas, dos cenários e tudo mais. Você que adora soltar a imaginação com uma boa leitura já pode comemorar, mas atenção: em alguns trechos o autor mergulha tão profundamente nos detalhes que em algumas cenas a leitura fica um pouco cansativa, mas nada que não possa ser compensado com alguma coisa que logo nos prenda e nos desperte do cansaço já nas cenas seguintes.

Os filhos da noite, das páginas para o telão

Sim. Então corram! Leiam logo que ainda neste ano, neste semestre e melhor ainda, neste mesmo trimestre, mais precisamente em 27 de fevereiro o livro irá para os telões brasileiros. Então fiquem atentos para garantirem essa leitura até lá. A parte chata de tudo isso é que a adaptação será lançada como A Lei da Noite, título da adaptação, não levando o título do próprio livro. O filme é estrelado, produzido e dirigido por Ben Affleck que também dirigiu Medo da Verdade, outra adaptação com base em uma obra de Dennis Lehane. O elenco também é composto por Sienna Miller, Zoe Saldana, Elle Fanning, Chris Cooper e Brendan Gleeson.

Quando RD estava metendo a mão no caixa da noite, apontou para a parede mais próxima dos trilhos e falou: “Nós estamos de olho, então é melhor não avisarem à polícia”.Quando Joe escutou isso, soube que estava lidando com um imbecil – quem iria chamar a porra da polícia durante um assalto a um bar clandestino? Mas o “nós” lhe deu o que pensar, pois a Klan estava apenas esperando alguém como Joe cometer um deslize. Um ianque católico que trabalhava com latinos, italianos e negros, [...] e ganhava dinheiro vendendo o Rum do diabo – o que havia nele para não se odiar? Págs 317 e 318 

Não sei se o correto é classificar Os Filhos da Noite como um romance policial, pois aqui temos muita ação e um pouco de suspense e, além de tudo isso, os relatos são do mundo do crime, ou seja, os vilões são denunciados pelo autor a cada página, os mocinhos (que mocinhos?), todos notam quem são ou notam ainda que aqui não existem mocinhos. Quanto a um investigador carismático com sua dupla coadjuvante solucionando mistérios, menos ainda. Lehane atribui a Os Filhos da Noite uma característica que encontro facilmente nas obras de um dos meus autores favoritos – James Patterson – que é misturar a ficção a fatos reais, sejam eles recentes ou do passado, o que nos leva a refletir sobre a realidade e através de seus personagens, nos passa um pouco sobre o seu mundo e sua forma de pensar. Já estou aqui contando os dias para o lançamento de A Lei da Noite. Enquanto isso não acontece, vou sofrendo de ansiedade. Antes de me despedir deixo o meu último apelo para que o mundo, a Lua e Marte, a estação espacial internacional e quem mais puder ler a este livro (aquele momento que bate uma vontade de sair por aí falando com todos, inclusive estranhos sobre a história).

Confira aqui o trailer oficial legendado:



Até mais!!!
   
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