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Resenha: Dados e Homens

Por: Thalinne Mafra 
Título: Dados e Homens - A História de Dungeons & amp; Dragons e de seus Jogadores
Gênero: Não-ficção
ISBN: 9788501107473
Autor:David M. Ewalt
Ano de publicação: 2016
Editora: Record
Número de páginas: 322
Nota: 5,00

Sinopse: 
A história de Dungeons & Dragons, maior jogo de RPG de todos os tempos, e de seus fiéis jogadores.
Este é um livro sobre a história de Dungeons & Dragons, maior jogo de RPG de todos os tempos. Ao narrar a verdadeira origem dos role-playing games, desmistifica certas lendas urbanas, explora a história corporativa do jogo, as batalhas nos tribunais, e, mais do que tudo, analisa o RPG enquanto fenômeno de massa e movimento sociocultural, explicando como influenciou e como ainda influencia escritores, desenhistas, pintores, cineastas, quadrinistas e até músicos, em todas as partes do mundo. Jornalista da revista Forbes e jogador nas horas vagas, David M. Ewalt cruzou os Estados Unidos, visitou a antiga sede da TSR, em Lake Geneva, entrevistou os projetistas originais do Dungeons & Dragons, participou de convenções e ressuscitou seu antigo grupo para testar novas e velhas regras. O resultado está reunido neste livro emocionante para RPGistas e didático para aqueles que desejam conhecer esse hobby tão criativo.


"Mesmo que nunca tenha jogado D&D, você provavelmente já ouviu falar nele, e quando admiti que era um jogador, seu inconsciente provavelmente me arquivou na pasta "Nerd, Perdido para Humanidade" - a menos que você seja um de nós. [...]A maioria das pessoas conhece D&D apenas como uma coisa estranha que os meninos do clube de matemática faziam no canto da lanchonete da escola. Ou como o passatempo do menino gótico da rua. Pode ser ainda pior: elas têm uma vaga ideia de que é algo depravado ou satânico - os jogadores de D&D não correm pelas florestas e veneram demônios ou se suicidam quando perdem uma partida?Admitir que você joga Dungeons & Dragons é apenas um pouco menos estigmatizado que confessar crueldade contra animais ou que ainda faz xixi na cama. Não deve ser feito na companhia de qualquer pessoa.Mas sou imune a todo esse desprezo. Eu conheço magia." Pág. 12-13



Em Dados e Homens, David M. Ewalt fala das origens do jogo que não só é o mais tradicional como também é o pai dos RPGs de mesa: Dungeons & Dragons.

Quando ouvi falar em Dados e Homens, fiquei dividida entre a curiosidade de ler e o medo de que o texto fosse chato e cansativo. David M. Ewalt é jornalista da Forbes, e o meu receio era de que o livro tratasse mais da parte financeira e de marketing do que do jogo em si. Mas ainda bem que a curiosidade deu um golpe crítico no receio.
"O sistema das partidas é bem diferente de outros passatempos. Em uma sessão de Detetive, você precisa resolver um assassinato misterioso, mas deve fazer isso movendo seu peão por um tabuleiro e lendo cartões do jogo. Se Detetive fosse jogado como D&D, você poderia pegar o cano de chumbo, arrancar uma confissão do coronel Mostarda e fazer sexo com a senhorita Rosa na mesa do conservatório." Pág. 16
Em sua pesquisa para o livro, Ewalt mergulhou de cabeça nas origens do D&D, apresentando desde os jogos de estratégia que serviram de inspiração para os criadores do RPG até as primeiras partidas jogadas como teste para o sistema. Claro que o livro também trata da parte financeira, abordando a criação da empresa TSR, que originalmente possuía os direitos sobre o jogo, a cisão entre os criadores, a falência da TSR e a compra dos direitos de D&D pela atual dona, a Wizards of the Coast, uma subsidiária da mundialmente famosa empresa de jogos Hasbro.
"David, o bardo andarilho, membro da tribo Jor-na-lizta, escrivão na corte de lorde Forbes, arrumou a bolsa nas costas e entrou na cidade sagrada." Pág. 273
Mas Ewalt não trata apenas da história da criação do jogo. Em seu texto, o autor explica características, menciona regras e faz cair por terra lendas urbanas relacionadas ao jogo, sempre intercalando a história do jogo com narrativas de uma campanha distópica que ele havia jogado com um grupo de amigos. E, como bom nerd, Ewalt não deixou de incluir no seu texto diversas referências e piadas internas de clássicos como os livros de Tolkien, Doctor Who, Star Wars, Star Trek e, surpreendentemente, Harry Potter, que apesar do sucesso e da inegável qualidade, ainda é visto com algum preconceito pelos nerds mais hardcore (acabei descobrindo que Ewalt e eu somos colegas de Casa na escola de magia norte-americana Ilvermorny).
"'Nenhum tesouro', disse. 'Apenas pilhas e pilhas disto.' Ele colocou as mãos no bolso e tirou um punhado de papéis velhos.Eu peguei um pedaço. Era velho e quebradiço, mas eu ainda podia ler as palavras em um de seus lados.
ESTA NOTA É MOEDA LEGAL PARA TODAS AS DÍVIDAS, PÚBLICAS E PRIVADASCEM DÓLARES
Porcaria sem valor." Pág. 153





É importante ressaltar também que Dados e Homens não é um texto exclusivo para nerds. O próprio autor enfatiza na introdução que escreveu também para aquelas pessoas fora deste círculo, talvez até mais para elas do que para os Grognards, termo que designa jogadores mais radicais de Dungeons & Dragons. Sempre ressaltando os pontos positivos do RPG, Ewalt se preocupa em demonstrar ao longo do livro que jogar D&D é um passatempo como outro qualquer, tão normal quanto se reunir com os amigos para jogar baralho, sinuca ou ver futebol, que funciona como uma fuga da realidade e explora a socialização e a imaginação dos jogadores.

O resultado final disso tudo foi um livro com texto leve, recheado de humor e referências nerds, que faz o leitor não querer pausar a leitura até terminar. E, quando terminar, certamente o leitor, seja ele um fã de RPG ou apenas um curioso, vai pegar um manual de Dungeons & Dragons, encontrar os amigos na taverna mais próxima, rolar os dados e partir para uma aventura.
"Vivemos em um mundo de trouxas e apenas um punhado de nós tem a sorte de ter um vislumbre de Hogwarts." Pág. 234

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2 comentários:

  1. Comecei a jogar RPG aos 13 anos e daí não parei mais. Comecei com Lobisomem: o Apocalipse e joguei praticamente quase todos os sistemas lançados no Brasil. Hoje minha atual campanha é de D&D e é inegável a contribuição desses jogos para o desenvolvimento da criatividade e da escrita. Acho que tudo o que aprendi sobre criação de personagens e cenários foi através do jogos.

    Adorei a resenha.
    Bjoss

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  2. Que bom que você gostou da resenha, Marcella!
    RPG ajuda muito no desenvolvimento da criatividade mesmo. A possibilidade de criar novos mundos e guiar os personagens das formas mais variadas possíveis dentro da história foi o que me fez amar o RPG de mesa.

    Beijos!

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