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Resenha - Noite na taverna (descobrindo a segunda geração do romantismo no Brasil)

Por: Danilo Zorzin

Título: Noite na Taverna
Autor: Álvares de Azevedo
3ª Edição
Coleção: Obra prima de cada Autor - Martin Claret
ISBN: 9788572325974
Páginas: 72

Sinopse:
Noite Na Taverna(1855) é uma série de histórias fantásticas e trágicas, impregnadas de angústia e morbidez. Macário, talvez sua obra-prima, é um drama dividido em dois episódios: o primeiro decorre “numa estalagem de estrada”, e o segundo “na Itália”.



NOITE NA TAVERNA, DESCOBRINDO A SEGUNDA GERAÇÃO DO ROMANTISMO NO BRASIL.

Olá compulsivos, como vão? Hoje resolvi escrever um pouquinho sobre “Noite na Taverna”. Vou tentar contar um pouco sobre a experiência da leitura, então esse post terá uma cara mais descontraída, e vou tentar trazer para vocês um pouco mais de detalhes sobre a obra, porém não todo o conteúdo dela, afinal eu quero que vocês leiam. Tomei conhecimento do livro esse ano, em uma aula de Literatura na faculdade, e a temática me encantou, sem mais delongas, encontrei uma promoção no Submarino (esse site é amor), e logo o livro chegou. Eu esperava que o livro fosse maior, mas mesmo sendo curto, ele cumpriu todas as expectativas.

O romance de Álvares de Azevedo, publicado em 1855, pertence a segunda geração romântica no Brasil, também conhecida como “Ultra-romântica” ou “Mal do Século. Esta fase, influenciada principalmente pelo poeta britânico Lorde Byron, é caracterizada pelas escritas carregadas de profundo subjetismo, pessimismo e melancolia, egocentrismo e melancolia, fuga da realidade, sentimentalismo exacerbado, entre outros.
Sobre o autor, vale a pena destacar que as suas obras foram publicadas postumamente, isso mesmo, vítima de tuberculose, o jovem Álvares, morreu aos 20 anos, deixou um grande acervo de obras e poemas e conquistou o prestígio de se tornar o poeta mais importante dessa geração. Suas obras são marcadas pela predominância da imaginação e o visual, detalhamento das cenas e ambientes. Outro elemento importante nas obras são as antíteses (exposição de ideias opostas), como luz e escuridão, o amor casto e o irrealizável desejo carnal, vulgar, sentimentalismo e a ironia indiferente, o sublime e o grotesco.

Bem sombrio não é? Então vamos ao livro.
Noite na taverna, narra a história de um grupo de jovens que se encontram em uma Taverna, e já embriagados pelo vinho, começam a contar histórias de seus passados. Até ai tudo bem, não é? Nada de anormal, todo mundo um pouquinho bêbado contando histórias, nada que fuja de um happy hour em uma sexta-feira.
    
Vamos à primeira narrativa, a qual vou trazer para vocês com uma riqueza maior de detalhes, para expor-lhes um pouco como é o livro, já que não vou mencionar todos os capítulos detalhadamente e também para deixar vocês curiosos para ler o restante. Quem toma a palavra no segundo capítulo do livro e da início as narrativas é Solfieri e tudo começa quando nosso narrador da vez, estava em Roma, andando pela cidade, e avista uma linda mulher solitária em uma janela escura, pela qual se encanta, e praticamente todas as outras narrativas também tem como principal temática esse desejo/paixão do homem pela mulher. Depois de alguns momentos a mulher aparece na porta e o nosso narrador começa a segui-la, depois de muito andar, Solfieri acorda no outro dia em um cemitério, e crê que a visão da mulher não fora um delírio. Depois de um ano, de volta a Roma e após uma orgia, nosso bola da vez saí de mansinho da casa onde está, e começa a andar, quando se dá conta o cara está dentro de uma igreja, com um caixão, e dento dele, a moça que vira pela primeira vez, aquela que ele seguiu até acordar em um cemitério.

Bom, só nesse começo de narrativa, você consegue perceber as características da geração Ultra-romântica, o fato de você não saber o que é real e o que é imaginação te prende da história de uma tal forma, que mesmo acabando de ler você não consegue chegar a uma conclusão, ou o cara estava se gabando para os amigos, ou aquilo tudo foi uma loucura ou aquilo realmente aconteceu.

Vou transcrever um trechinho para vocês:
 “Aquele branco da mortalha, as grinaldas da morte na fronte dela, naquela tez lívida e embaçadam o vidrento dos olhos mal apertados... Era uma defunta! E aqueles traços todos me lembraram uma ideia perdida... Era o anjo do cemitério! Cerrei as portas da igreja, que ignoro por quê, eu achara aberta. Tomei o cadáver nos meus braços para fora do caixão. Pesava como chumbo...”

Acredito que o trecho fala por si só, depois disso nosso querido narrador “necrófilo”, pratica sexo com a defunta. É, isso mesmo, e o que acontece depois? Ela acorda, como se estivesse dormindo. Tá. Seja forte, não feche o livro e comece de novo pois é isso mesmo. Solfieri a leva até sua estadia, e a mulher morre após duas noite e ele mesmo a trata de enterrar. Os amigos do narrador duvidam de história contada, mas ele afirma que é verdade. Quem não duvidaria? Super normal isso acontecer.

Pessoal, espero que tenham gostado desse relato breve sobre a obra, e espero ter contribuído de forma positiva para despertar o interesse de vocês na literatura brasileira. Não vou comentar sobre os outros capítulos da obra, mas esperem que todas as histórias a serem narradas tenham o mesmo tom “mórbido” que essa.
            
Me despeço por aqui.
Um grande abraço.

Danilo Zorzin
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Um comentário:

  1. Danilo eu tenho esse livro e já li! Sensacional! O macário eu preciso ler!! è o Bruno que trabalhou com você!

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