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Resenha: Ghost Rider: A Estrada da Cura

Por: Thalinne Mafra

Título: Ghost Rider: A Estrada da Cura
Gênero: Autobiografia
ISBN: 9788581741536
Autor: Neil Peart
Ano de publicação: 2014
Editora: Belas Letras
Número de páginas: 513

Sinopse: 
Como continuar vivendo depois de perder as pessoas que você mais ama? Após a morte da única filha, Selena, e da esposa, Jackie, o músico Neil Peart se transformou em um fantasma – um homem sem motivação, esperança ou fé. Sozinho em casa, convivendo com as lembranças, ele decide pegar a estrada com sua moto, uma BMW R1100GS, para rodar por 90 mil quilômetros, sem destino, em busca de um motivo para preencher o vazio que sente. Esta é a história real de um homem que partiu carregando a morte e o luto, mas transformou sua jornada em uma poderosa narrativa sobre a solidão, o amor e, acima de tudo, a paixão pela vida, mesmo quando tudo ao nosso redor nos leva a desistir dela. 



O DVD Rush in Rio foi gravado no Maracanã durante a turnê do disco Vapor Trails, primeiro disco gravado depois do retorno do Neil Peart à banda.
Foto Por Thalinne Mafra

Imaginem a sensação de perder tudo que se tem de importante na vida e se ver obrigado a continuar vivendo. Foi o que aconteceu a Neil Peart em 1997, quando sua filha única, Selena, de 19 anos, morreu em um acidente de carro e, menos de um ano depois, sua esposa Jackie, com quem vivia em uma união estável há 22 anos, morreu vítima de câncer. 


Devastado com a perda da família, Neil se aposenta do Rush e se muda para sua casa de campo, para se isolar de todos. Mas isso não foi suficiente. 



Ele então se lembra de algo que sua esposa dissera a ele antes de morrer: "Ah, apenas saia por aí em cima de sua moto". Assim, Neil resolve sair em uma viagem de moto pelo Canadá, Estados Unidos e México, viagem que foi para ele a "Estrada da Cura". 
"Naquele ponto, percebi que a minha existência tinha alcançado seu nadir absoluto, e meu inferno pessoal, de modo apropriado, parecia uma canção country muito ruim: 
Minha filhinha morreu, minha esposa morreu, meu cachorro morreu, E meu melhor amigo foi para a cadeia. 
Então estou rodando por essa longa estrada solitária."  Pág. 170 


Aos poucos o Neil passa a se permitir continuar vivendo, e à medida que ele se deixa levar pela estrada e interage com as pessoas que conhece no caminho, ele aprende a suportar sua dor e a conviver com ela. 


Eu, como fã do Rush e conhecendo a história do Neil, fiquei muito interessada nesse livro e o comprei logo que foi lançado em português, tanto pela curiosidade de ler algo escrito pelo Neil (ele já escreveu outros livros relatando suas viagens de bicicleta e moto, mas eu ainda não havia lido nenhum) quanto pela vontade de conhecer essa história pelos olhos dele. E é incrível como ele consegue transmitir as próprias emoções no livro, fazendo com que o leitor sinta o mesmo que ele está sentindo. Prendi o choro várias vezes durante a leitura. 

"Lembro-me de ficar pensando: 'Como alguém sobrevive a uma coisa dessas? E quando sobrevive, em que tipo de pessoa se transforma?' Eu não sabia, mas ao longo daquele tempo de luto, tristeza, desolação e completo desespero, alguma coisa dentro de mim parecia determinada a seguir em frente. Algo aconteceria. Ou talvez fosse mais como aquela frase da mulher mórmon: 'A única razão pela qual eu estou viva é porque eu não conseguia morrer'."  Pág. 20 


Foto por Thalinne Mafra

Algumas coisas no livro foram particularmente interessantes para mim. Primeiro, as menções que o Neil faz ao longo do livro a algumas de suas composições e às inspirações para elas. Outra coisa que me chamou a atenção foram as várias referências aos seus autores preferidos, cujos livros acabaram influenciando parte do roteiro de viagem. Também adorei o fato de ele ter incluído diversas cartas enviadas a amigos e familiares e trechos do seu diário, tornando a leitura mais pessoal. Por último, amei que em todo início e fim de capítulo o Neil incluiu o trecho de alguma música do Rush que se relacionasse com os acontecimentos narrados no capítulo (sim, eu cantei todas enquanto li. Risos).


Para quem gosta de relatos de viagem, o Ghost Rider também é um prato cheio, pois o Neil descreve com detalhes as paisagens dos lugares por onde passou. 



Não é uma leitura fácil. O texto é bastante detalhista e por se tratar de uma história real, não tem momentos de clímax e reviravolta. Mas o Neil tem uma forma muito poética de narrar os acontecimentos, o que faz o leitor se deleitar com cada palavra. 

"Preocupado apenas com que o nome 'Fernie' aparecesse no cartão, nem prestei atenção na foto quando o comprei, mas antes de começar a escrever nele eu reparei na legenda: 'Ghost Rider'. Virando o cartão, vi a foto de uma nuvem lenticular desprendendo-se do pico da montanha Trinity. Parece que Ghost Rider era a nomenclatura local dada a esse fenômeno atmosférico. Agora é hora de explicar que Alex* e eu tínhamos um jeito específico de escrever um para o outro que chamávamos de 'idiotês'. Com a caneta na mão esquerda (a errada), comecei a rabiscar: 'Mim ser u goust raider'. Então parei, atirei a cabeça para trás e pensei: 'Uau, é isso aí! Eu sou o ghost rider!' Os fantasmas que carregava comigo, o modo como o mundo e as vidas das outras pessoas pareciam irreais e diáfanas e como eu mesmo me sentia alienado, desintegrado e desligado da vida ao meu redor. 'É isso aí', pensei, 'sou bem eu mesmo. Eu sou o ghost rider!'"  Pág. 129 
Falando um pouco sobre Neil Peart: ele é baterista e principal compositor da banda canadense de rock progressivo Rush. Foi eleito pela revista Rolling Stone como o melhor baterista do mundo. Neil é um leitor assíduo e já compôs diversas músicas inspiradas nos livros que leu. Também já publicou outros livros com seus relatos de viagem, além de um livro de ficção em parceria com Kevin J. Anderson. Atualmente Neil está casado com a fotógrafa Carrie Nuttall, com quem tem uma filha, Olivia, de seis anos. 


*N. A.: Alex Lifeson, guitarrista do Rush.
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