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Resenha: 1942 - O Brasil e sua guerra quase desconhecida

Por: Paulo Machado

Título: 1942 - O Brasil e sua guerra quase desconhecida
Gênero: História
ISBN: 9788520933947
Autor: João Barone
Ano de publicação: 2013
Editora: Nova Fronteira

Sinopse: 
João Barone, baterista do grupo Paralamas do Sucesso e aficionado por assuntos da Segunda Guerra Mundial, procura revelar e analisar a participação do Brasil no conflito que sangrou o mundo. Filho de um dos mais de 25 mil pracinhas que lutaram na Itália, Barone dirige sua pesquisa pelo passado do pai e do país para unir dados, curiosidades e histórias emocionantes de uma campanha incrível que muitas vezes o próprio brasileiro desconhece.


O livro “1942 – O Brasil e sua guerra quase desconhecida” é uma preciosidade. Veio para preencher uma enorme lacuna no acervo de obras sobre a história da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial.

Sua escrita é leve. Pode ser utilizado para qualquer fim: fonte de pesquisas acadêmicas ou até sanar curiosidades sobre a participação dos “caboclos” –  como Barone tanto enfatizou que é como eram conhecidos os pracinhas brasileiros – no front italiano.

Barone se concentrou muito nos momentos que antecederam a entrada do Brasil na guerra, e isso foi foco de alguns críticos do assunto. Acredito que não levaram em consideração que as embarcações mercantes de bandeira brasileira passaram a ser atacadas pelos poderosos submarinos alemães e italianos na costa do país desde 1942, mas somente em julho de 1944 que o primeiro escalão da FEB embarcou rumo ao mediterrâneo, o que me faz acreditar que esses críticos esperavam algo com relatos de combates do início ao fim.


Imagem por Paulo E. Machado - Dudu
A obra faz um sobrevoo pelo momento político do Brasil na Era Vargas, sobre a amizade do então presidente Getúlio Vargas com os países do eixo – a Alemanha nazista do austríaco Hitler e a Itália fascista de Mussolini - até a quebra das relações e, mais tarde, o estreitamento da amizade com Franklin Roosvelt – presidente dos Estados Unidos – quem apoiou a entrada do país em combate ao lado das forças aliadas e o relacionamento com Winston Churchill – líder britânico e contrário à entrada de mais uma nação no front europeu.

É um livro para se emocionar, rir, se impressionar e sentir orgulho de ser brasileiro. Por tudo o que li, do improviso dos pracinhas nos treinamentos até os momentos de recreação durante a viagem à Itália, o que envolvia muito samba e muitas outras coisas que me fizeram sentir que aqueles guerreiros, naquele tempo, eram como somos hoje.

“... Os pracinhas que levavam seus instrumentos na jornada – violões, gaitas, pandeiros e até cuícas – acabaram promovendo concorridos saraus a bordo, que conseguiam agregar todos num grande coral a cantar sambas e outros temas populares, o que afastava maiores preocupações e o tédio da viagem. A passagem pela linha do equador sempre exigia uma tradicional e engraçada cerimônia, encenada com alguém fantasiado de rei Netuno e autorizando o cruzamento dos mares, o que acabava em samba entre os brasileiros”. Pág 139

Ledo engano se a citação acima te transmite a impressão de que os pracinhas foram à Itália a turismo. Nossa participação no front foi bastante satisfatória, mas muitos caboclos tombaram em conflito durante a tomada de Monte Castelo e outras regiões elevadas da Itália. Como de se esperar de uma guerra, nenhum dos lados sai totalmente vencedor quando também se perde contingente e parte se seu ativo é danificado.

Informações que são difíceis de serem encontradas na internet estão reunidas na obra de Barone, tais como estatísticas diversas de operações e danos aos inimigos, imagens históricas, mapas, quadro de condecorações das forças armadas brasileiras, estrutura da infantaria e ficha de sentenças dos pracinhas que cometiam algum tipo de infração.

“Quando os brasileiros entraram em ação, aos poucos quebraram uma regra que parecia muito rígida entre as outras nacionalidades que lutavam por lá: a de manter distância da população local. Em pouco tempo, os pracinhas construíram a reputação de buona gente com os italianos. Muito além dos casos de descendentes de italianos que chegaram a encontrar parentes durante a guerra, os veteranos relataram com muita frequência sobre como se emocionavam ao ver as crianças pedindo comida e os velhos e mulheres sem agasalho no frio, o que inevitavelmente levou muitos deles a entregar sua própria comida aos necessitados [...] Esse foi o grande diferencial dos brasileiros...”. Pág 269

Em resumo, a obra é um ótimo instrumento de iniciação para se aprofundar e o tema passar a ser sobre “uma guerra conhecida”. Com este em mãos, você irá se surpreender com o que João Barone foi capaz de escrever durante um tempinho longe de seu instrumento favorito: a bateria.

Sua capa trás dois fuzis Springfield (armamento padrão de parte dos pelotões da FEB) cruzados ao topo, um avião da esquadrilha do “Senta a pua!” da Força Aérea Brasileira e duas bombas logo abaixo. Um verdadeiro retrato dos combatentes brasileiros, e claro que para completar, uma cobra fumando bem ao centro.

Histórias emocionantes como a de um herói, o sargento Max Wolff Filho ou o caso dos três corpos desenterrados, e na cruz escrito “3 tapfare” – o que significa “3 valentes” - farão o leitor sentir um arrepio. E olha, vale muitíssimo a pena conferir o porquê, principalmente se ama história.
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