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Resenha: A religião


Por:
Thali Mafra

Título: A Religião
Gênero: Ficção
ISBN: 9788500021176
Autor: Tim Willocks
Ano de publicação: 2008
Editora: Ediouro

Sinopse:

Em A Religião, Tim Willocks recria os fatos que resultaram no Cerco de Malta - auge da disputa entre cristãos e muçulmanos na Europa em meados do século XVI. Mesclando realidade e ficção, este épico conta a trajetória do mercenário Mattias Tannhauser e sua atuação nas guerras religiosas.É nesse cenário tomado pelo caos que Tannhauser conhece a nobre lady Carla de La Penautier e a sedutora e misteriosa Amparo. Sofisticada e encantadora, Carla é uma mulher devastada pelo sofrimento de não ter conhecido seu filho, que lhe foi tomado ao nascer. Quando o destino dos três personagens se cruza tem início uma história de paixão, amor e ciúmes.

Sabe quando você lê a sinopse de um livro e rola uma "química"?! Pois é. Foi o que aconteceu com esse. Minha mãe leu, gostou e me mostrou. Comprado na hora e por um preço bem baixo. Encontramos o livro no mercado em uma seção de promoção, achei que fosse um livro antigo que estivesse sem saída, mas descobri que era um livro relativamente recente naquela época.

A história é envolvente do inicio ao fim. É chocante e violenta e chega a assustar às vezes.
Tudo começa quando Mattias Tannhauser, ainda criança, vê sua mãe e suas irmãs mais novas serem assassinadas por cavaleiros otomanos. Desesperado e se sentindo responsável pelos acontecimentos (o pai havia viajado e deixando-o como responsável pela mãe e irmãs), Mattias abandona seu lar e vai embora com os otomanos. Torna-se então um mercenário respeitado por católicos e muçulmanos.



Foto por Thalinne Mafra
No outro extremo da história está a condessa Carla de la Penautier. Aos 15 anos de idade, Carla conhece Ludovico, então noviço da Ordem de São João de Rodes (ordem militar cristã, originada durante as cruzadas, também conhecida como A Religião - daí o título do livro). Os dois se apaixonam e do curto relacionamento nasce um menino que foi tomado dos braços de Carla nos primeiros instantes de vida. Doze anos depois, com a iminência de uma guerra em Malta (onde nascera e fora deixado o filho de Carla), a mulher teme nunca mais ver o filho.

Com o clima de tensão crescente entre católicos e mulçumanos as viagens a Malta passaram a ser proibidas. Desesperada, Carla implora à Religião que permitam sua viagem, eles permitem com uma condição: Carla deve levar Mattias com ela e convencê-lo a lutar ao lado da Ordem. Com um pequeno jogo de sedução, Carla consegue convencer Mattias e Bors de Carlisle, o melhor amigo do mercenário a irem para Malta ajudá-la a encontrar seu filho e lutar com os católicos.

Completando a história temos Ludovico, no meio do terror da guerra o inquisidor vê seu ódio por Mattias, seu maior inimigo, aumentar cada vez mais da mesma maneira que aumenta seu amor por Carla.

E para deixar o triângulo amoroso ainda melhor, tem Amparo, personagem enigmática. Amparo foi encontrada por Carla abandonada numa estrada e sentindo o vazio causado pela perda do filho, Carla leva a moça para casa, cuida dela e lhe dá um nome (nunca se soube o verdadeiro nome da moça, nem sua idade; supõe-se que ela tivesse cerca de 13 anos na época que foi encontrada por Carla, alguns anos antes dos acontecimentos do livro). Sua aparência etérea e misteriosa encantam Mattias, que inicia um relacionamento com a moça, tornando-a um porto seguro no meio dos horrores da guerra.


Com frases curtas e impactantes, Tim Willocks dispensa sutilezas para retratar o realismo e a violência da guerra. A forma de o autor narrar à história reflete muito a personalidade do Mattias Tannhauser, alguém que já viu de tudo e por isso não se assusta ou se choca com praticamente nada.

"A ponta da lança tinha atravessado as tripas do homem e buscado a saída mais fácil, que era o ânus. Seus calções estavam cobertos de excrementos e do sangue que vazava. O capitão sentiu náusea. Tannhauser chutou a extremidade mais grossa da lança, afundando-a mais quatro polegadas nas entranhas do homem. O homem emitiu um gemido terrível. O capitão vomitou sobre seu subordinado contorcido. Bors riu." Pág. 115
A história te prende do início ao fim, eu particularmente fiquei encantada com o livro que acabou se o meu preferido.
O livro faz parte de uma trilogia. O segundo volume “Twelve Children of Paris”, foi lançado em 2014, porém não se sabe se terá tradução. Apesar disso, a história se completa por si só e o primeiro volume pode ser lido isoladamente.
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